Friday, January 6, 2017

Num Raio de Loucura


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Neste raio de loucura, em que floresce o poeta,
Que é de catarse ou de paixão incerta...
E que, na boémia da vida, nunca chega à medida certa,
Por ser este fogo ingénuo o que à vida mais liberta,
*
Subo-por raiz-às paixões nobres da vida,
Por esta escada utópica de loucura...
Que é só com amor, bravura e sabedoria,
Que se mata a estupidez, que à vida só perturba.

Neste espelho, que enlaça utopias, desafios e ternura,
Sorrio às almas cândidas, que levitam na catarse pura,
Mas prendem ao umbigo esta paixão ingénua de vencer
A vulgaridade trágica, apenas por retóricas-belas-que sublimam!
*
Ora é-desde o princípio-no seu voo planáltico,
Onde arde a vida-leve-em desafios e olhares-
Que a poesia vem fundir a lucidez à loucura
E lançar por este arco uma flecha na lonjura!...


Véu de Maya


Thursday, October 20, 2016

Na minha barca/ Chopin


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Sou a vida que brinca
no efémero que passa,
E a nostalgia que fica
na saudade que grassa;
*
Sou o sonho que acorda,
quando o real amanhece.
E a paixão que transborda,
quando a vida acontece;
*
Sou a noite que escuta,
quando o silêncio floresce.
E o rio que se aprofunda,
quando o caudal endoidece;
*
Sou a aventura que estica,
quando o instante brinca.
E a alegria que dói,
quando a dor constrói;
*
Sou um pássaro que voa
e até a nuvem que destoa,
Mas no que vivo, sou-fogo
E em tudo, nunca ardo à toa.

Véu de Maya

Friday, September 30, 2016

Poética das Mãos/ Morricone


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As tuas mãos, plumas de pássaro,
São borboletas na leveza do ar
E rios de profundidade virginal
No jogo inocente do acaso.
*
Sonham criativas, pela vida inspiradas,
Como musas de uma espontaneidade intensa
Véus de espanto em toques de alvorada
E vertigens sublimes em criatividade imensa.
*
E brindam no seu fluxo madrigal
De toques da alegria bebida no teu sorvo
À inocência da vida na sua loucura seminal
De pássaros livres em voo louco
*
Mas o que mais desvendo nelas
E só deslindo noutras, já bocas,
É que brincam como borboletas
Em rasgos felizes, até ficar loucas!...

Véu de Maya

Thursday, September 15, 2016

Poema de Véu de Maya em torno da nostalgia do Outono/ Chopin


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Este poema acerca da nostalgia do Outono, depois de declamado pelo poeta, está escrito dentro do vídeo numa imagem delicada e sensitiva...e floreado por telas ilustrativas da pintura mundial- sob a sonoridade estrelar de uma fantasia de Chopin...Desfrute da fusão deliciosa entre poesia, música e pintura, pela felicidade do espírito e para alegria estética dos sentidos. Não se esqueça de abir o vídeo em ecrã inteiro-full screen- para uma mais confortável visibilidade das imagens e do poema.
Enjoy the harmony: poetry, music and picture. Amazing relax. thanks.
 Yet the poem in portuguese language, for google translator if you want...
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Roda, roda, ó folha de Outono,
Que secaste sem saber...
Mas eu que te toco tão leve
Em que chá te poderia beber!
*
Canto ao vento que te leva
E ao toque que já não podes florir
E ao ver-te rodar assim serena
Como poderia não te esculpir!
*
Sigo ao teu lado pertinho
E ao vaguear no teu caminho
Sorrio-me a passear sozinho
E a sentir-te como idílio já esbecido...
*
Mas ao Baco que à vida sorri
E neste louco altar floresce...
Sob os véus do que festejo em ti
Venho dançar, ó folha de Outono,
*
Pois não quero estiolar como tu
Sem me embriagar neste poema
À nostalgia do que sinto por ti...
*
E ao vento que até na morte se ri
Que sopre até valer a pena...
Na roda em que tudo na vida flori!...

Véu de Maya

Tuesday, August 16, 2016

No barco da vida/Morrricone


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É o amor da viagem e o rumo do navio
Que se desafiam um ao outro
Com igual coragem e sangue frio
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O mar profundo e a arriscada travessia
Onde os barcos no mar e na vida os sonhos
Se enrolam nos seus enigmas
*
O porto de partida e o porto de chegada
Onde cada saída é uma nova partida
E cada partida é uma nova chegada
*
As expectativas e a superação
Que no navio são o ar e a respiração
E na vida a nobreza da missão
*
A ambição e as descobertas
Que se jogam belas e seguras
Mesmo nos portos da hora incerta
*
A fruição e as formas belas
Que sopram durante o percurso
E se renovam em criações serenas
*
A felicidade do mar e a aventura do navio
Que mesmo quando ficam da vida ausentes
Voltam no sonho a fazer-se sentir presentes
*
É o amor da viagem e a arriscada travessia
Onde os barcos no mar e os destinos na vida
Se enrolam nos seus enigmas
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Frágil círculo das partidas e das chegadas
Onde no mar que é metáfora e na vida que é luta
Transitam os humanos que marcam a sua passagem
Com as mais belas e terríveis pegadas!...

Véu de Maya

Thursday, June 30, 2016

Cristal Puro/Mozart


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Trago-te em mim, ó espelho do efémero,
Sinto que és na vida o meu fogo eterno
E por isso danço contigo nos fios do instante
Como pássaro oblíquo em voo rasante!
*
Quando te desafio, abres-me a oferta
Que é cristal de lucidez que à vida encanta
Como a claridade que à floresta desperta.
*
Mas se te toco, profundo, em silêncio,
No olhar trágico do clarão da tua origem,
Levas-me a vaguear pelo teu labirinto imenso...
*
E é aí, ao desvelar-te, que sou riso e vertigem
E tu, no ápice, o voo leve que me levanta!...


Véu de Maya

Tuesday, May 31, 2016

Flecha e pluma/ Chopin


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É o silêncio e a força do pensamento
Onde o eterno se reconcilia com o efémero
E o volatiliza no que nele é simplesmente etéreo;
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A encruzilhada e os oraculares destinos
Onde o gesto criador se grava no eterno
Como os peregrinos se aprofundam nos seus caminhos;
*
A liberdade do ser e as correntes do não-ser
Onde a criação pura é flecha e pluma
Sobre o caos incerto e a sua bruma;
*
A fonte apetecível e a sua irradiação
Onde seja quem for que aí habite
Não pode deixar de pressentir o convite;
*
A querida entrada e a confortável estadia
Onde o cume da verdade, do sonho, e do mistério...
É amor donde nunca advém adultério;
*
A paragem e o sopro libertador
Onde ao instante vem a eternidade
E ao criador as metáforas da verdade;
*
O laço profundo e a sagrada comunhão
Onde o tempo que é usura e a eternidade que é sonho
Se fundem numa festiva e solene união;
*
É o silêncio e a força do pensamento
Onde o eterno e o efémero se entrelaçam a cada momento;
A criação pura flecha e pluma
Sobre o caos incerto e a sua bruma...
*
Fonte, irradiação e convite
Paragem e sopro libertador...
Onde o tempo é instante e eternidade?
E a passagem aspira a ser: Colina e Liberdade!...


Véu de Maya

Tuesday, April 26, 2016

Nos teares da existência/ Moonlight Sonata


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Floreada pela sonoridade da Moonlight de Beethoven-esta poética existencial em quatro pontas do véu a levantar-está escrita dentro do vídeo- por delicadas imagens- o voo da poesia em sintonia com as outras duas artes românticas por excelência-a música e a pintura. Desfrute desta sensitiva simbiose, pela felicidade do espírito e  alegria dos sentidos...Enjoy well this lovely existential relax...Obrigado/Thanks.

Véu de Maya

Thursday, April 21, 2016

voo longínquo/Chopin


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Entre as estrelas que nos olham
 E os ventos que desfolham, 
 Ergue-se a vida que a tudo transforma 
E vence a morte que tudo devora. 
Entre a vida incerta que nos projecta 
E a sibilina morte que a tudo seca, 
Gira o tempo tenso que nos desperta
 E o Universo imenso que nos inquieta. 
 Mas entre nós e o destino que nos prende 
Baila o efémero da vida que nos desafia
 E o brilhar das estrelas que nos surpreende
 No olhar suspenso do voo que nos ilumina. 
*
 Até que, na nossa aventura de viver, 
 A vida se tenha exaurido-por inteiro-no seu florescer...
 E face às vestes sombrias da inelutavel morte,
 Entregue lealmente o seu nobre passaporte!...

 Véu de Maya

Monday, April 18, 2016

Afrodite




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Se sentes o meu silêncio
Não o feches na tua emoção
Deixa-o estrelar ardente dentro de mim.
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Se escutas o meu silêncio
Não o gastes na tua dúvida
Deixa-o germinar leve dentro de ti.
*
Se ecoas o meu silêncio
Não o esgotes na tua canção
Deixa-o dançar profundo dentro de mim.
*
Mas se amas o meu silêncio
E o trazes no fundo de ti...
*
Não o deixes ficar só em mim
Nem o percas na obscuridade 
Porque é para ti que ele sorri!...

Véu de Maya

Wednesday, April 13, 2016

Erótica da Sedução/Albinoni


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 Para ler este soneto ao erotismo, enquanto escuta a recitação do poeta, queira ter a amabilidade de transitar para o Youtube,

Véu de Maya


Wednesday, April 6, 2016

Ah, coração de poeta!/Chopin



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Ah, coração de poeta! como podes tu florir?
Entre os oásis da terra e os enigmas do céu...
Sem te entranhares nos labirintos da vida
E os espelhares puros nas vozes do teu véu.
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Ah, poeta! e quantos vapores de snobismo?
A vaguear na terra por entre brumas e esperanças
E no céu por entre mistérios e fragrâncias.
*
Rega-me antes com as cores da vida
Desde os tons da violeta até aos da orquídea vermelha,
Pois é nesses cheiros que se distinguem os amores genuínos
E transitam os barcos no mar em seus altivos desafios.
*
Ah, coração puro! mas que alquimia de cores!
Pintada em espelhos de risos e silêncios e sentidos,
Tal como nos transes das paixões altivas
Ardem menos os vapores do que os amores.
*
Ah, poeta! erro a vibrar nestes teu versos,
Em que todo o coração puro se quer fundir,
Até, no Universo, por paixão, a outros fazer florir!...

Véu de Maya

Monday, March 21, 2016

Soneto à Orgia doTempo/ Bach


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Hei-de ser mar e terra e fogo e ar...
Quando, por fim, na roda que a tudo sela,
Secarem as flores da vida, ao trémulo da vela,
Em vestes que só o tempo levará a pratear;
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E de sublimes versos, saírem cristais,
Como fluem das marés, algas e sais...
E de loucas paixões, volúpia e flores,
Em poções felinas, na altivez dos amores;
*
E das fundas dores, cravadas no Mundo,
Chegarem gritos urgentes, de enlace profundo,
Ao luar da alegria, onde ela nunca vibrou...
*
Até que tudo, por fim, na orgia do tempo,
Tal como a vida, ao arder em caos imenso,
Volte a ser, no destino, o anel onde brilhou!...

Véu de Maya

Monday, March 7, 2016

ELOGIO À MULHER/ MOONLIGHT SONATA BEETHOVEN


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Ah, mulher, mulher, por que te dão um dia,
Se no Mundo não há dias sem ti.
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Ah, mulher, mulher, por que te celebram num dia,
Se na vida não há paz e amor e filhos sem ti.
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Ah, mulher, mulher, de que te vale teres um dia,
Se nos outros dias, fizerem a festa sem ti.
*
Ah, mulher, mulher, para que te oferecem um dia,
Se em todos os outros, não haveria presentes sem ti.
*
Ah, mulher, mulher, para que te levitam num dia,
Se em todos os outros, não há aniversários sem ti.
*
Ah, mulher, mulher, por que não há um dia pró homem,
Se a vida tanto vale nele, como em ti, mulher!
*
Ah, mulher, mulher, és pomar, pétala, 
Flor, semente e fruto...
És nascente, vida, sonho, paixão e risco puro,
E sem ti, não haveria barco seguro.
*
Ah, mulher, mulher, já que tens este dia,
Faz com que a festa se torne inteira...
Que Ela não tenha limite, lamúria ou fronteira.
*
E que seja riso de homem, de criança e mulher,
 Estrelar e absoluta, total, como a vida quer!...

Véu de Maya